quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Ê lê lê...


Hoje eu participei de uma cena surreal que me tirou do sério. Estava eu aguardando, na portaria de um prédio, ser atendida pelo porteiro para liberar a minha entrada. O rapaz de 20 e poucos anos precisava recadastrar o sujeito à minha frente quando o mesmo resolveu ter um chilique. Agrediu o pobre moço verbalmente, telefonou para o escritório aonde ele teria que ir para reclamar do serviço do prédio, falou alto, se sentiu um galo.

Eu fiquei indignada, completamente. E, com a voz mais calma desse mundo, chamei o dito cujo de ignorante. Com certeza, ele não esperava por isso, ficou vermelho, falou mais alto ainda, repetindo todos os insultos que já dissera. Fiz questão de esperar o responsável pelo escritório que o talzinho iria visitar, que resolveu descer para amainar os ânimos, para contar o absurdo da situação. Foi o que fiz, afinal.

Entretanto, ver o porteiro tremendo pelo constrangimento pelo qual passara me deixou mais furiosa ainda e acabei dando uma de xenófoba (o sujeito era estrangeiro) , perdendo parte da minha razão quando disse a ele que ele estava fora de casa e devia ter mais educação com quem o recebia tão calorosamente no Brasil. Pois é.

Outro dia, saiu uma pesquisa no UOL sobre preconceito. O resultado dizia que a maioria das pessoas respondeu "sim, o mundo é preconceituoso, mas eu não". Imagine todo mundo dizendo isso. De quem estaríamos falando, então?

Para completar, ainda há pouco, eu assistia ao documentário sobre uma pequena cidade de Minas, Noiva do Cordeiro. Ô troço difícil esse de preconceito. Sempre me pergunto se discriminação é desvio de caráter ou ignorância pura. Mas, e quando sou eu quem surge com aquele preconceitozinho básico? Como é que eu me julgo? Difícil, né?

Eu não acredito em gente boazinha. Acredito em pessoas que se observam e que melhoram com exercício diário. Assim sendo, a humanidade tem chance, do jeitinho que Mandela diz: "ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele, por sua origem ou ainda por sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender, e se podem aprender a odiar, podem ser ensinadas a amar."
Vambora, então.

Noiva de Cordeiro:

No fim do século XIX, Maria Senhorinha de Lima, natural do povoado próximo de Roças Novas, se casou com um descendente de franceses, Arthur Pierre. Três meses depois, sentindo-se infeliz, ela abandonou o lar e foi morar com Chico Fernandes, no local onde acabou sendo criada a comunidade.

O seu ato deixou a população escandalizada, já que as mulheres não tinham o direito de abrir mão de um casamento em nome do amor. Começou aí a história de preconceito e isolamento. A Igreja Católica rapidamente se colocou contra o casal, que foi excomungado e difamado. Mesmo assim, o casal seguiu sua vida, teve filhos, que tiveram outros filhos, e a comunidade cresceu.

Por volta dos anos 40, o pastor Anísio Pereira se mudou para o povoado ao se apaixonar por uma jovem local. Ele fundou a Igreja Evangélica Noiva de Cordeiro, que passou a ser o nome do lugar. Os preceitos dessa Igreja eram muito sérios, restritos, as mulheres não podiam usar maquiagem, não podiam fazer controle de natalidade e os dias de jejum obrigatório prejudicavam o trabalho. Por conta do rompimento com a fé católica, o preconceito dos povoados vizinhos crescia ainda mais. As mulheres da comunidade começaram a perceber que a Igreja não trazia tantos benefícios e que, pelo contrário, dificultava a vida e o sustento. Aos poucos, foram se desligando, até colocar um fim na igreja local. A partir daí, passaram a viver uma vida sem religião – mas com muita fé em Deus -, sem dogmas e sem formalidades.

A rotina de Noiva do Cordeiro dificultava a integração com as populações vizinhas. As mulheres eram vistas como prostitutas, perdidas, e esses boatos afetavam muitos relacionamentos da comunidade. Há alguns anos, as mulheres resolveram mudar essa realidade. Para correr atrás de recursos e lutar por seus direitos, fundaram uma associação comunitária. Com isso, conseguiram criar uma escola de informática, a primeira da zona rural de Minas Gerais. Essa conquista fez com que, aos poucos, começassem a ser respeitadas pelas comunidades vizinhas. Uma fábrica de tecidos também foi montada e aumentou a renda local.

Atualmente, o modo de vida dos moradores de Noiva de Cordeiro é admirado e respeitado. Na comunidade, nada é de ninguém, tudo é de todos. Todos trabalham, todos comem o que plantam, e todos usufruem dos benefícios alcançados.

(Fonte: globosat.globo.com/gnt/secoes)

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Estica e puxa


Notícia do Globo.com: O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobrevoou nesta quarta-feira as regiões mais atingidas pelas chuvas em Santa Catarina, onde já morreram 97 pessoas, e não 99 conforme a Defesa Civil local informara anteriormente, e destinou cerca de R$ 2 bilhões para ajudar as vítimas e a reconstrução do estado e outras regiões do país atingidas por secas e enxurradas.

Triste a situação, desesperadora. Noventa e sete mortos, cidade inundada, corações desolados. Desesperançados. Impossível imaginar o que aquele povo esteja sentindo. Duvido que qualquer pessoa que olhe nos olhos dos moradores de lá consiga ficar imune àquela dor.

Mas, eu acho que, apesar de tudo, a gente deve e precisa tirar uma lição daqui. Desde 1983, quando uma inundação deixou 49 mortos e quase 200.000 desabrigados, os estudiosos alertam sobre a ocupação irresponsável das planícies, o desmatamento e diversos outros fatores geoambientais. O que foi feito desde então? A região continuou sendo ocupada desordenadamente, ignorando o solo "podre" (quando a água infiltra, satura e desliza).

O governo local tem responsabilidade sobre a tragédia? Sem dúvida. Faltou fiscalização, planejamento, orientação. Concordo que a atuação política poderia ter evitado boa parte do problema. Só que eu não posso deixar de pensar que cada pessoa, cada morador de Santa Catarina seja igualmente responsável pela situação na qual se encontra.

A gente vive fazendo isso na vida: enxerga o erro, insiste nele e depois lamenta quando o resultado (previsto) acontece. Sinceramente, eu não sei porque. Nem posso caminhar pelo discurso cultural (brasileiro é assim mesmo), já que semelhantes tragédias percorrem o mundo inteiro. Aliás, a Terra parece uma bolha prestes a estourar e, mesmo sabendo disso, continuamos agindo como se nada estivesse acontecendo.

Reparem que o homem não separa seu comportamento pessoal da vida social que leva. Enquanto forçamos nossos limites domésticos para ver até onde a nossa insatisfação nos trará total desencanto, vamos irrompendo, sem pudor algum, o coração do mundo com igual desleixo. Afinal, pensamos, nós, o futuro não chega. Nunca. Esquecemos, entretanto, que as consequências sim, a cada minuto. Eu que o diga. Mas, eu estou acordando :) e, gente, se até eu posso melhorar, vamos combinar, qualquer um pode. Wake up, little Susie, wake up.

"Não basta abrir a janela para ver os campos e o rio.
Não é bastante não ser cego para ver as árvores e as flores.
É preciso também não ter filosofia nenhuma.
Com filosofia não há árvores: há ideias apenas.
Há só cada um de nós, como uma cave.
Há só uma janela fechada, e todo o mundo lá fora;
E um sonho do que se poderia ver se a janela se abrisse,
Que nunca é o que se vê quando se abre a janela."

(Alberto Caeiro)


terça-feira, 25 de novembro de 2008

Murilo Rosa


Gente, coisa mais fofa desse mundo a entrevista do Murilo Rosa à Marília Gabriela, no GNT.

Qualquer hora, a gente fala desses homens tão especiais, que amam e cuidam, e são en-can-ta-do-res. E melhor: existem!

Beijos

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Amigos e poetas

Ontem eu conversava com uma amiga pelo msn quando escrevi um "I know!" em resposta a uma afirmação dela. Mas, não foi um "I know" qualquer. Na minha cabeça, eu gritei um "I know" igualzinho à Monica, de Friends.

Explico: eu assisto Friends há um tempão, desde que entrou no ar, em 1994, conheço trechos inteiros de vários episódios e morro de rir de verdade. O sitcom saiu do ar em 2004 e até hoje as reprises me aliviam a alma. Mesmo. Adoro as bobagens, as sacadas, sobretudo a transparência entre os seis amigos que, com todas as diferenças, construíram uma amizade tão gostosa que todo mundo pensa que é verdade (ou será que sou só eu?).

Assim como em Sex in the City, Friends tem personagens bem distintos, exagerados na expressão pra gente conseguir se enxergar neles, e tudo com bom humor que é pra fazer sucesso. Eles moram em Manhattan e frequentam um café chamado Central Perk (com "e" mesmo), pertinho do prédio em que moram.

Falando mais deles, vou começar pela Monica, já que mencionei o "I know": ex-obesa, Monica é uma figurinha perfeccionista, controladora, competitiva. É, também, acolhedora, mãezona, leal. Chef de cozinha, Monica não confia em mais ninguém na cozinha. Morre de ciúmes de sua louça (só usa a melhor para celebrar o Thanksgiving. O coitado do Joe sempre recebe um prato de plástico). Louca para ser mãe, Monica termina o seriado casada com Chandler e seus dois filhos adotados (tanto ela quanto ele tinham problemas para uma gravidez, mesmo por inseminação. É, lá também tinha problema).

Chandler: filho de uma mãe "fervorosa" (deu em cima até do melhor amigo dele) e de um travesti, é inseguro e vive fazendo piadas. Os amigos não sabem direito no que ele trabalha, mas Chandler é contador. Tentou alguns relacionamentos e o mais engraçado foi com a Janice (oh Janice). Ele e Joe (seu roommate) viveram estórias engraçadíssimas com os patos e galinhas que criavam no apartamento. Amigão de Ross, Chandler é humilde e sempre se desculpa ao perceber que magoou um deles.

Ross: bobão e cientista, é irmão de Monica e trabalha no Museu de História Natural. Casado bem no comecinho do seriado, logo de cara se separa porque a mulher descobre que gosta de meninas (de uma, especificamente). A situação fica engraçada quando, depois de separados, eles descobrem que estão grávidos e Ross passa a "competir" pela paternidade do filho com a namorada da ex. Na verdade, Ross é apaixonado por Rachel, seu amor de adolescência, e é com ela e a filha do casal que ele termina a novela.

Rachel: mimada e infantil, Rachel trabalha com moda, na Saks, divide apartamento com Monica, e são vizinhas de Joe e Chandler. Começou o seriado vestida de noiva, pois havia fugido do altar, deixando o noivo dentista para ir morar em NY. Indecisa, ora ama Ross, ora quer ser só sua amiga. Flertou com Joe e namorou um Pablo asqueroso. Linda de viver, Rachel é delicada e virou a mãe cuidadosa de Emma, fruto de uma noite não programada com Ross.

Joe: um fofo! Ingênuo, companheiro, franco, vive tentando a carreira de ator, fazendo bicos aqui e acolá, até que vira o Dr. Drake, do seriado Days of our lives. Louco por carne, deu uma linda prova de amizade quando, Phoebe (vegetariana de carteirinha), grávida, teve o desejo "indecente" de comer carne. Fiel às vaquinhas, Phoebe não queria que nenhuma delas morresse por causa de sua vontade incontrolável de rosbife. Joe, então, prometeu parar de comer carne durante toda a gravidez dela, assegurando, assim, que nenhum bicho a mais morreria, pois ela comeria a cota dele. How are you doing? era o que ele sempre dizia, com cara de safado, quando estava de olho em alguém. Único solteiro no final da estória, Joe ganha um programa de TV na Califórnia e deixa os amigos em NYC.

Phoebe: a melhor, na minha opinião. Engraçada, honesta, transparente, Phoebe é a melhor amiga de todos. Tem uma história trágica de vida (a mãe a abandonou quando era pequena, o pai a rejeitou, foi separada do irmão - que reencontrou já adulta - , descobriu que tinha uma irmã gêmea, viveu nas ruas, foi presa, etc), mas guarda uma doçura sem igual. É massagista totalmente tochpe-tchura, acredita em ETs, é vegetariana e protege os animais. Deu à luz a trigêmeos depois de fazer uma inseminação in vitro a pedido do irmão, cuja esposa, 20 anos mais velha, não podia engravidar. Extremamente lógica nas suas viagens, tem coração doador, magia na alma, tranquilidade e coerência. Termina o seriado casando com um grande amor, coisa mais linda.

Quer saber? Nunca mais um seriado do gênero será tão bom quanto esse... ô perfeição. Assistam quando puderem, canal 47 da Net :)

domingo, 23 de novembro de 2008

O coração de Hannah


Hannah Jones tem 13 anos. Sua história andou pela mídia há bem pouco tempo, sensibilizou alguns, horrorizou outros, mas ninguém que soube da vida dela ficou impune: Hannah prefere morrer a continuar sofrendo.

A menina, que nasceu na cidade de Marden - Inglaterra, teve leucemia aos 4 anos. Passou por 12 cirurgias e incontáveis sessões de quimioterapia. A leucemia cedeu, mas os tratamentos abriram um buraco no coração de Hanna, que funciona mal desde então e pode parar a qualquer momento. Se a menina recebesse um coração novo, correria o risco de desenvolver leucemia novamente, como conseqüência dos remédios usados para evitar a rejeição ao órgão transplantado. Em pouco anos, precisaria de um segundo transplante. Foi, então, que Hanna reinvidicou o direito de não ter o coração transplantado, pois prefere morrer em paz com a família.

A partir dessa decisão, muitas teorias, conceitos e belos textos foram escritos. "Hannah está sem esperança", "deprimida", "não acredita na vida", "está com um 'buraco' no coração". O hospital que cuida de Hannah entrou na justiça para garantir a continuidade do tratamento, mas desistiu do processo após ouvir de uma assistente social que a menina está bastante segura de sua decisão.

Baseada apenas no que li, sinceramente acho que essa menina conseguiu dar uma prova de amor à vida. Em uma de suas cartas, Nitiren Daishonin (o Buda dos Últimos Dias da Lei) diz: "é melhor viver pouco com dignidade do que acabar em desgraça aos 120 anos".
Acredito que Hannah, além de um bravo ato de coragem, fez uma escolha por qualidade de vida e por essa dignidade da qual fala Nitiren. Para quem é fisicamente saudável, é muito fácil dizer "não desista, viver vale a pena acima de tudo". Não estamos discutindo um suicídio, e, sim, de deixar a natureza fazer o seu trabalho, sem a intervenção humana.

Sou a favor dos avanços da medicina, cla-ro, mas penso muito sobre a onipotência que a ciência pretende se dar. Fazendo um trocadilho com as palavras de Chico, em sua Cálice, "talvez o mundo não seja pequeno, nem seja a vida um fato consumado", mas todos não têm o direito de "inventar o seu próprio pecado e morrer do meu próprio veneno"?

Desejo a Hannah toda a felicidade que ainda virá em sua vida, queria eu ter a chance de conviver com ela um tiquinho só. Com certeza, tão pequena ainda, ela já sabe que "a paz no coração é que é o paraíso dos homens" (Platão).

Viva la vida.

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Que príncipe que nada

Eu me lembro da primeira vez que percebi o sentimento, o mais diferente de todos, que me fez despertar para a adolescência. Eu tinha 11, 12 anos e gostava de um menino da minha classe, da mesma idade, super-bonitinho. O engraçado é que eu falava com todo mundo, mas morria de vergonha dele e ficava muda quando o guri aparecia. Ô tempo bom... rs

Naquela época, a gente até falava de namorado, amor, beijo, mas tudo era só "uma coisinha de nada", quase uma brincadeira, embora a meninada já sofresse, e escrevia no diário, fazia hora na porta da escola.

Lembro do primeiro beijo, tão estranha a descoberta, mal sabia eu que aquilo seria o fim da tranquilidade dos meus patins. Não sei se eu achava que aquele menino seria o meu príncipe, meu namorado e tudo mais. Mas, de lá para cá, a memória me é bem clara e o príncipe nunca me apeteceu. Para falar a verdade, se eu fosse a Branca de Neve, namoraria mesmo era o guarda que lhe poupou a vida no meio da floresta... já começou o "relacionamento" com uma bela prova de não-egoísmo, arriscando-se a ser morto pela rainha invejosa (há versões da estória que conta que não foi o beijo do príncipe que salvou a princesa e, sim, o tropeção de um dos anões que carregava o caixão de cristal. Quer dizer, príncipe só na "vestimenta" mesmo, né?).

Acho que foi por isso que sempre me apaixonei por homens inteligentes, daqueles que sabem tudo, conhecem o mundo, sabem do que é feita a rebiboca da parafuseta e a composição química do ácido sulfúrico. Beleza por beleza foi, e ainda me é, inútil: o que me inspira é o conjunto da obra.

Assim como aos 11, hoje eu ainda me sinto muito ingênua para falar de amor. Taí um sentimento que desconcerta, faz a gente rever um quinhão de conceitos, duvidar da razão. Mas, se tem uma coisa que eu aprendi recentemente, é que o amor precisa ser real para ser e se manter forte. Precisa ser cotidiano, entregue, participativo. Precisa ser presente, sim, na dor e na alegria, na noite e no dia, na brincadeira da praça e na delícia do quarto. Para amar é preciso disposição, inclusão, mas, sobretudo, para amar é preciso ter amor no coração.

Amor é vida
É ter constantemente
Alma, sentidos, coração — abertos
Ao grande, ao belo

É ser capaz d'extremos
D'altas virtudes
Compr'ender o infinito, a imensidade
E a natureza e Deus

Gostar dos campos, das aves, flores, murmúrios solitários
Buscar tristeza, o ermo
E ter o coração em riso e festa
E à branda festa, ao riso da nossa alma

Fontes de pranto intercalar sem custo
Conhecer o prazer e a desventura
No mesmo tempo, e ser no mesmo ponto,
O ditoso, o misérrimo dos entes: Isso é amor, e desse amor se morre!

(Gonçalves Dias)

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Tchau, Vó

A gente enfrenta muitas perdas na vida. A primeira, eu acho, é a perda do conforto do útero, embora, pela memória tão inconsciente dessa idade, não sei se conta. Depois, a vida entra numa gangorra de ganha-e-perde sem fim: aprende a andar, perde o colo; perde o 1º dente, ganha a 1ª fantasia (a fada dos dentes, lembram?); perde a inocência do Papai Noel, ganha a linha direta para pedir o presente ao pai.

Todas essas são perdas que, de uma forma ou de outra, nos enriquecem, pois trazem sempre a contrapartida do crescimento, da maturidade. Tem uma perda, entretanto, que não tem riqueza alguma, não traz alegria pois nunca haverá ganho algum depois. Trata-se da perda, pela morte, de um ente querido.

Eu perdi a minha avó ontem. Na verdade, nós fomos perdendo-a nos últimos 10 anos, com toda a falta de saúde dela, com a distância, com as ausências. Acho que é aí que a morte me assusta tanto: quando eu, definitivamente, perco toda e qualquer chance de fazer alguma coisa, conquistar, conviver, recuperar que seja.

Isso, mais uma vez, me põe a pensar na morte que a gente deixa acontecer diariamente por insensibilidade, por egoísmo, por achar que terá ainda muito tempo (no futuro!) para redimir-se. E adia, adia o outro, a si, adia a felicidade que é levantada delicadamente por pequenos gestos. Por pequenos gestos a gente também se afasta, cada dia um pouquinho mais e, quando vê, a separação está instaurada, mesmo com o "bom dia" de todos os dias. É preciso aprender a amar, porque, como já dizia Shakespeare, "sem saber amar não adianta amar profundamente".

Num dia como o de hoje, sem muita coisa organizada no peito, com o sentimento meio anestesiado, confuso e triste, encontrei pessoas que, mesmo sem saber da minha perda, falaram sobre morte como eu jamais havia ouvido, nem experimentado. Trouxeram um bálsamo tranquilo e contente para uma noite de muita solidão. É, as dores são sempre solitárias.
Obrigada aos amigos que estiveram comigo hoje, sabendo ou não. Obrigada por cada gesto, pela presença, pelo abraço. Tem dia que demora pra passar... e ter companhia nesses dias é sempre um bom remédio.


"De manhã escureço
De dia tardo
De tarde anoiteço
De noite ardo

A oeste a morte
Contra quem vivo
Do sul cativo
O este é meu norte

Outros que contem
Passo por passo:
Eu morro ontem
Nasço amanhã
Ando onde há espaço:
Meu tempo é quando.

(Vinícius de Moraes)

domingo, 16 de novembro de 2008

Amor-próprio ou recompensa?


Há uns bons anos, eu disse a alguém que eu me presenteava sempre (toda semana) porque eu merecia. Afinal, eram tantas as obrigações, tantos os compromissos que era justo que eu comprasse alguns mimos para mim mesma.

Na época, essa pessoa questionou a minha justificativa argumentando irritantemente (pelo menos, foi o que eu senti no então). De lá para cá, eu andei observando muito as motivações que norteavam meu consumo, e achei triste quando, ainda ontem, uma amiga comentava de uma conhecida comum e seu desequilíbrio na shopping-terapia.

Imediatamente, eu me peguei pensando na diferença entre cuidar de si e tentar recompensar-se por todas as agruras a que a gente mesmo se impõe (por medo, preguiça, e mil outras razões). Esses conceitos são puramente devaneios da minha cabeça, mas acho que vale a pena parar um tiquinho para tentar encontrar alguma verdade nessa história.

Para mim, cuidar de si tem a ver com tratar da saúde (toda: física, mental, espiritual), cultivar o amor e as amizades, afastar-se do que não é digno, prevenir-se de canais que entopem o futuro (principalmente aquilo que não funciona mais).

O que acontece, muitas vezes, é que a gente se confunde e sai consumindo exageradamente, quase obrigando-se a necessidades que vêem não sei da onde, como se isso fosse acariciar nossa mais profunda carência. Mulher é campeã nisso, basta uma tristezinha e é um tal de "preciso de um sapato, uma bolsa, outra calça preta" (a 15ª). Uma visitinha ao shopping é um verdadeiro tapa-buraco, pena que dura pouco.

Às vezes, a gente repete esse vício também para aliviar uma culpa. Quem é que nunca comprou uma "coisinha" só para aliviar a falta que fizemos numa data importante, ou para alegrar alguém (como se o nosso ombro não fosse suficiente), ou, ainda, para disfarçar uma "mancada"? Pais são campeões nisso, casais também. O resultado é péssimo porque, se male-male a gente se engana, que dirá enganar o próximo.

Não sei se eu exagero. Pode ser. A verdade é que eu adoro presentes (de mim para mim, de mim para os outros, dos outros para mim), mas duvido de tudo que parece "demais", e acho que too much of a thing is good for nothing. Como qualquer outro trabalho, prestar atenção a si mesmo, o tempo todo, cansa naqueles dias mais preguiçosos. Entretanto, esse é o tipo de esforço que vale a pena, pois, como já dizia Platão, "não espere por uma crise para descobrir o que é importante em sua vida".

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Rodablog - Porções que se misturam


O que uma consersa despretenciosa não é capaz de fazer, não é? Pois bem, estava eu conversando com um amigo blogueiro quando ele me contou o quanto escrever tem lhe feito bem. Aí, quando brinquei "vamos fazer o encontro dos blogueiros", ele foi logo topando! Incentivou mesmo!

Agora, eu já estou pensando em como fazer isso, como divulgar, qual a intenção, cenário, periodicidade, enfim, pirei com a idéia. Logo eu, que quase não gosto de eventos mesmo... rs, ainda mais desse gênero. Já até pensei no nome: Rodablog (surgiu assim do nada, facinho, facinho).

Tem muito literatura boa nos blogs, me surpreendo muitas vezes lendo alguém como se eu própria tivesse escrito aquilo. É super-bacana ver que tem muito neurônio funcionando, tentando se expressar e conseguindo com o custo de receber críticas não lá muito construtivas. Mas, tudo tem um preço, e, vamos combinar, quem critica para destruir não merece crédito, não... o negócio é deletar e bola pra frente.

Outro dia, recebi um comentário de uma amiga de um amigo, ambos blogueiros. Fui lá no blog dela para xeretar, chafurdar nos pensamentos daquele ser. A-d-o-r-e-i! Poético, simples, sensível. Apareçam por lá, vou criar um link aqui, o nome é "Existo, logo penso". Nanci, obrigada. Uma frase em especial me chamou muitíssimo a atenção em um dos seus posts: "Nunca se adie. Faz tanto mal que você nem imagina". A gente sabe, mas faz que esquece para ir empurrando. É bom quando alguém põe assim, de maneira tão nua.

Bom, então o convite está feito: blogueiros e pretendentes-a estão convidados para o 1º encontro do Rodablog. Enviem sugestões, por favor, idéias e etc. Só atentem que será em fevereiro, isso mesmo, daqui a 3 meses. Acho que até lá todo mundo já recarregou as baterias e estará muito afim de começar o ano com coisas novas.

Estou aguardando, beijos.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Monstro da palha


Gente, vocês precisam assistir a esse vídeo do Cocoricó! É a coisa mais fofa desse mundo! E, para não perder o hábito, eu fiquei reparando no tal do Monstro da Palha, coitado. O Astolfo morrendo de medo, viajando na maionese, enquanto o tal do monstro não faz nada. Pois é, nada! Nem fala o bichinho! Só fica lá, atrás do porquinho. Se o Astolfo olhasse pra ele, veria que nem é feio nem nada, é só uma coisa!

Isso sem falar na letra da música. Coisa linda. Igualzinho a gente quando tenta imaginar o futuro. No final, o porquinho consegue o que quer após muito sofrimento (à toa, porque nada acontece de fato), fica rouco, uma tragédia. O interessante é que ele termina assim: "a gente é porquinho mas já sabe se virar". Uma graça. "Já sabe se virar..."

Assistam ao vídeo, please, please, please. Não há como não sorrir, como não se encantar. Aliás, obrigada Gabi, obrigada Rodrigo. Ambos enviaram coisas lindas para "a manhã cinzenta de segunda-feira".

A letra da música "E se...", do Cocoricó caminha logo abaixo. Beijos.

E se o meu brinquedo caísse
E se eu tentasse pegar
E se na hora acordasse com monstro da palha
Querendo me assustar
E se o monstro me obrigasse
A cantar uma canção
Uma canção enfeitiçada
Mesmo se eu quisesse
Não parava de cantar
Cantar, cantar, cantar...
Trálá, lá, lá, lá...
Trálá, lá, lá, lá...
Trálá, lá, lá, lá...
Se eu quisesse chamar minha mãe
A canção não me deixava
Se eu quisesse gritar
Se eu quisesse chorar
A canção não me deixava
Eu tinha que cantar, sem parar, sem parar
Trálá, lá, lá, lá...
Trálá, lá, lá, lá...
Trálá, lá, lá, lá...
E se a minha mãe ouvisse
Eu cantando essa canção
E se ela pensasse assim
Bom, o porquinho tá cantando, então tá tudo bem...hm, hm?
E se isso acontecesse?
Se eu ficasse enfeitiçado pelo monstro da palha?
E minha mãe não viesse me salvar?Hein? o que eu faria?Hein?
Eu cantaria muito alto, muito alto e muito forte
Até ficar rouco, rouco
Completamente sem voz
Minha mãe ia pensar
Hmm, que silencio, vou lá olhar o porquinho
E viria me salvar
Ai, ai, a gente ainda é porquinho mas já sabe se virar
Ai, ai, a gente ainda é porquinho mas já sabe se virar

Chistes necessários


Ai, gente, tem hora que é preciso apelar. Buscar por aí a graça que uma segunda-feira cinzenta não tem, ainda mais quando a semana já começa com poucas horas de sono.

Resolvi fazer uma pausa "light", remexendo em cabeças alheias só para distrair. Fucei no blog do meu amigo Fabrício, que fala hoje sobre o MAU (assim mesmo, em letras maiúsculas) na internet. O assunto é sério, exige proliferação, mas o que eu queria era uma novidade boa, divertida. No hall de blogs amigos do meu amigo, eu encontrei "Uma dama não comenta" e ri sozinha. Super-leve, bem-humorado, blog bacaninha de verdade.

Esse é o tipo de exercício que tem me feito um bem danado, principalmente em tempos como esse, com uma notícia pior do que a outra na TV, no jornal, nas Curitibas da vida.

Respirar fundo, olhar pela janela, ouvir música boa, falar com alguém sem comentar de trabalho, almoçar em outra vizinhança. Caminhar por ruas novas, reparar nas casas, sentir como São Paulo é grande e a gente dá conta de viver nela. Pequenas variações sobre o mesmo tema que funcionam como gotas energizantes.

Outro dia uma amiga me convidou para assistir um filme qualquer no cinema sobre atentado, com explosão e perseguições. Ah, não, minha querida, vamos ver coisa mais gostosa. Para ver explosão eu vejo de casa mesmo, é só sintonizar em qualquer canal da TV aberta.

A gente precisa cuidar do nosso bem-estar, sim, não só no tangível, mas, sobretudo, naquilo que, efetivamente, melhora nosso humor e, na sequência, nossos convívios. Simplificar mesmo. Parar um tantinho, tirar um cochilo depois de um esforço daqueles, esticar a rede e deitar para ler um pouco. Ok, difícil no meio da semana, não é? A rede e o cochilo talvez, mas todo o resto é bem possível, sim, senhores.

Garantir uma qualidade melhor de vida exige algumas escolhas, como morar mais perto do trabalho, ter vida perto de casa (academia, escola, etc e aí evitar usar o carro), comer bem (de verdade!), procurar alternativas, praticar uma filosofia de vida condizente com os seus propósitos. Por isso, quando alguém me questiona sobre meu jeito de viver, eu respondo: eu faço comigo o que é melhor para mim. Simples assim. O bom é quando essa simplicidade favorece o questionamento no outro e o ajuda a encontrar o seu jeito de viver mais inteiro.

Entre as coisas que eu ainda não consegui é entender a falta de confiança (minha, sua, de todos nós). Mas, está aí uma coisa que eu nem sei se quero de fato. Talvez, eu deva apenas aprender a conviver com ela para não cobrar muito de mim nem de qualquer outra pessoa. Aqui vale encontrar o mesmo suspiro que precisei para suavizar essa segunda-feira cinzenta e rir. Pois, como se diz por aí, rir ainda é o melhor remédio.

Um dia, a mãe do saci pediu para ele ir ao mercado: -Durval vá ao mercado, mas vá num pé e volte no outro.O saci foi e nunca mais voltou!!!

Dois amigos se encontram depois de muito anos. - Casei, separei e já fizemos a partilha dos bens.- E as crianças?- O juiz decidiu que ficariam com aquele que mais bens recebeu.- Então ficaram com a mãe?- Não, ficaram com nosso advogado.

O condenado a morte esperava a hora da execução, quando chegou o padre: - Meu filho, vim trazer a palavra de Deus para você. - Perda de tempo, seu padre. Daqui a pouco vou falar com Ele, pessoalmente. Algum recado?

OBS: Chiste não tem nada a ver com shit, embora a idéia de bullshit seja bem apropriada... rs

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Cuidar do que importa


Tem gente que nos faz um bem danado, não é? Ficar perto delas extrai nossa porção melhor, faz a gente ver o que quer da vida, ajuda a definir até aquilo que não queremos mais. Estou falando isso porque tive uma semana bem cheia, nem tempo para escrever nesse blog querido eu consegui, mas foi uma das minhas melhores semanas desse ano, graças a essas pessoas.

Pra começar, após alguns contatos tímidos nos últimos 2 meses, eu (re)encontrei uma parte da família que eu não conhecia. Essa aproximação me fez lembrar do meu primeiro post, o Nascimento da Gema: "É assim que dá saudade, uma saudade danada das pessoas queridas que são minhas raízes, mãe, irmãos, sobrinhos (gente, são 4!) e também daquelas pessoas que não pude conhecer porque o mundão é grande e o povo se espalha. Tem, ainda, aquele galho da árvore genealógica que se perdeu, não por morte morrida, mas por morte do descuido. Essa é a pior morte: quando não faz tanta falta assim, ou, pelo menos, a gente acha que não". Não é incrível a sincronicidade do dr. Jung? Lá no fundinho do meu coração, aquele texto escrito em agosto já era um chamado para encontrar essas outras gemas.

Só isso já seria assunto pra mais de ano, mas aconteceu também uma felicidade profissional: defini claramente meus projetos, defini com quem quero seguir e como, e deixei pra lá aquilo que, de fato, eu não quero mais, não preciso, não posso porque me consome desnecessariamente. Aqui, o convívio com a absoluta preponderância de gente pra lá de bacana fortalecendo minhas escolhas.

Tem épocas em que a gente se mistura com tantas tribos que se empolga, ou se contamina, ora com isso, ora com aquilo. Fica difícil não perder tempo, "desperdiçar emoções", desviar dos propósitos (até eles ficam meio nublados, por vezes). A importância de ter gente boa perto da gente é a influência que se recebe. Mesmo, gente! Isso não é grá-grá de pai e mãe. Nem estou apenas repetindo o antigo ditado "me diga com quem tu andas e eu te direi quem és".

Ter gente boa de alma no nosso convívio é diferente de ter bons amigos. Bons amigos são fun-da-men-tais, mas, até a gente achar o bom amigo de verdade... Em contrapartida, se a boa alma (sem conotação religiosa alguma) está por perto, ela te ajuda sinceramente. Isso pode até virar uma amizade madura e proveitosa depois para ambos e durar a vida toda. Ou pode durar só o tempo que for preciso para os dois. Pode virar sociedade. Pode virar família, aquela que a gente escolhe. Interessante, percebi agora que falei das duas famílias: a sanguínea, que traz a força da vida; e a querida, que nos aquece o coração.

A semana foi intensa mesmo. E a melhor parte dela foi perceber que eu tenho uma sorte gigante por ter por perto pessoas tão especiais na família, no trabalho, os amigos, o homem que amo. Gente que me faz melhor, acrescenta, multiplica sentimento, delicadeza, gratidão. E, definitivamente, não há nada de maior importância nessa vida do que isso.

"O presente é tão grande, não nos afastemos (...)
O tempo é a minha matéria,
o tempo presente,
os homens presentes,
a vida presente."

(Drummond)

domingo, 2 de novembro de 2008

O importante é perguntar


Pois é, gente, não tem jeito: blog é intimista mesmo. Ando por aí, visitando endereços que falam de cinema, política, moda, etc, mas, no final das contas, o que cada um quer mesmo é dar sua opinião, dar voz àquilo que normalmente a gente nem fala, sei lá eu porquê. É tão bom conversar, não é?

Essa semana eu falei e ouvi um bocado, até papo pra lá de profundo como a existência de Deus rolou. Confesso que foi a prosa que mais me impressionou, dada a delicadeza do tema e a delicadeza madura de quem conversava. É bonito sentir o respeito que se dá e recebe numa hora dessas.

Que a vida é arte e engenharia a gente nem precisa falar. Peixes, flores, cabritos, terra, água, céu: "só" isso já seria suficiente para fazer ulular qualquer criatura. Para piorar um tanto mais, a gente ainda tem a humanidade. Aí, pronto! Como se não bastasse pensar e criar, a gente ainda carrega sentimentos, guarda lembranças (onde???), tem memória pra tudo (cheiro, fisionomia, tato, sabor). E sonha! Como é que é isso mesmo? A gente reproduz o que vê durante o dia ou anda por esse mundão afora vez por outra?

Tudo isso se complica e se mistura quando ninguém consegue decifrar a origem nem o objetivo dessa parafernália ambulante que somos nós. E olha que a gente tenta, viu? É cientista, filósofo, religioso, artista, arqueólogo, ateu, psicólogo, poeta, gente comum. Todo mundo atrás de uma explicação. Até criança, quando atina para o absurdo da coisa, corre pro pai e pergunta: "pai, como foi que eu nasci"?

Apesar de admirar a convicção que habita alguns corações, sempre me pergunto como é que se pode ter tanta certeza de alguma coisa sem experimentá-la de alguma forma. Parece coisa de São Tomé, eu sei, mas nem católica eu sou, portanto, deixemos o santo descansar. O fato é que eu não posso afirmar que não há vida depois dessa ou que não há vida em outro planeta se eu nunca morri, se eu nunca saí por aí!

A mente humana é capaz de pregar peças sem fim, a gente está ca-re-ca de saber. Há milhares de anos nos enganamos, exageramos, subestimamos, eliminamos, desenvolvemos só com o pensamento. Portanto, eu acho impossível que alguém tenha uma resposta definitiva sobre qualquer coisa.
Platão, Santo Agostinho, Rousseau, Marx, Nietzche, Freud: graças a eles descobrimos que não estamos sós em nossas dúvidas, mas todos morreram sem resposta. Ou, talvez, chegaram à conclusão de que a vida é uma não-resposta gigante mesmo e que isso é que a torna incrivelmente maravilhosa. Essa insaciedade não avilta, só engrandece.

Há um poeta indiano chamado Rabindranath Tagore que fala claramente de Budismo em seu poema Verdades. Ele até usa o conceito de purgatório, inferno e ceú, mas como algo vivido todos os dias, dependendo da postura de cada um.

Vivi meus três caminhos na terra
Purgatório. Inferno. Céu.
Tudo de acordo com meus projetos,
minhas atitudes,
procurando não reincidir nos mesmos erros.
Agora - vago e espero
entre ápodos e flagelos
o ressurgir da verdade.

Santo Agostinho tem histórias lindas também, que encontram ecos no coração e na alma da gente. Acredito que esteja na força da própria descoberta o segredo de tanta beleza na vida.

“Não te disperses. Concentra-te em tua intimidade. A verdade reside no homem interior”.

“Não podes ser bom amigo dos homens, se primeiro não o fores da verdade”.

“A verdade não é minha nem tua, para que possa ser tua e minha”.

"A verdadeira força consiste em ter a coragem de agir quando se tem fortes medos, dúvidas ou desejos alternativos".

"Aqueles que pretendem encontrar a alegria fora de si, facilmente encontram o vazio".

"Não saias de ti, mas volta para dentro de ti mesmo, a verdade habita no coração do homem".